CONTRIBUINDO COM A PRESERVAÇÃO DAS ABELHAS NATIVAS E DA FLORESTA AMAZÔNICA


A Agência de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (ADS) inseriu, pela primeira vez, o mel de abelhas nativas sem ferrão na merenda escolar de alunos da rede publicada estadual de ensino no município de Boa Vista do Ramos (a 268 quilômetros de Manaus) e o objetivo é estender a inclusão a todas as escolas do Estado até o fim deste ano.

De acordo com o diretor-presidente da ADS, Lissandro Breval, a ação se deu por meio do Programa de Regionalização da Merenda Escolar (Preme) e contou com a parceria do Fundo de Promoção Social (FPS), da Organização de Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).

Ele ressaltou que o investimento vai fortalecer a apicultura familiar de Boa Vista do Ramos e gerar excelentes resultados para a economia do Estado e para a saúde dos alunos da rede estadual além de garantir mais saúde aos estudantes.

“Não existem dúvidas sobre a importância do mel para a alimentação dos alunos. Todas as escolas estaduais irão receber esse produto, que não é caro, considerando o seu grande valor nutricional. E além de enriquecer o cardápio da merenda escolar, geramos emprego e renda, aproveitando a produção de agricultores do nosso Estado”, destaca Breval.

O presidente da Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas do Amazonas (Coopmel), Jair Rodrigues Arruda, garante que os apicultores do município de Boa Vista do Ramos estão conquistando um importante mercado para comercializar a sua safra, a partir deste ano, por meio do Preme.

“A venda para a merenda escolar é viável do ponto de vista econômico e será um mercado fundamental para os apicultores em Boa Vista do Ramos. Estamos vendendo hoje a um preço de R$ 50 por quilo de mel e agora que fomos selecionados por esse programa da ADS, estamos na expectativa de aumentar a nossa produção de 2 toneladas por ano para até 4 toneladas em 2017 e isso só é possível devido a garantia de compra do governo”, disse o presidente da associação.

Teste de aceitação

Para garantir que os alunos recebam produtos de ótima qualidade, estão sendo realizados testes de aceitabilidade, com estudantes de 7 (sete) distritos na capital Manaus, acompanhado por nutricionistas da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e coordenadores da merenda escolar. No teste, os alunos provam o mel e respondem um formulário se gostaram ou não do mel, sem serem identificados.

A aluna Letícia Beatriz Muniz, 15 anos, da Escola Estadual Antônio Lucena Bittencourt, no bairro Betânia, zona Sul de Manaus, afirma que o mel é saboroso e que está aprovado. “É muito bom estarmos recebendo na nossa merenda mais um alimento e principalmente como o mel, que é doce e saboroso, e ainda mais sabendo que faz bem à saúde”, relatou.

Benefícios do Mel

De acordo com a nutricionista da Seduc, Jaine Marques, a aceitação do mel na merenda foi ótima e explica os benefícios do mel na melhoria de desempenho dos alunos em sala de aula. “O mel é uma fonte importante de carboidratos, tem absorção lenta do açúcar pelo sangue, proporcionando uma sensação de saciedade e evitando picos de fome durante a aula. O mel também ajuda no desenvolvimento gastrointestinal, é um antiflamatório natural e vai contribuir muito para a atenção do aluno na sala de aula”, explica a nutricionista.

Desenvolvimento social

A Coopmel investiu cerca de R$ 1 milhão para a construção da fábrica, incluindo um barco para transporte do mel e uma serraria, fortalecendo a cadeia produtiva da apicultura familiar em Boa Vista do Ramos.

O presidente da OCB, Petrucio Magalhães Júnior, diz que investir em alternativas econômicas é o caminho para o desenvolvimento da região. “A produção existia, mas os apicultores tinham dificuldades de comercializar o mel e com a venda para a merenda escolar, estaremos garantindo a produção e mais oportunidades de trabalho e renda”, concluiu.

Fonte: Acrítica

A ausência de lei específica para a criação de abelhas sem ferrão (meliponicultura) no Amazonas obriga os pequenos produtores a atuarem na “clandestinidade”. Isso porque a lei federal ambiental em vigor regula apenas os criadores de abelhas com ferrão (apicultura), o que impede a ampliação das colônias e cria dificuldades na hora para a comercialização do mel. Associações e sindicatos dos produtores estiveram, na última sexta-feira (29), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), e pediram a criação de uma lei estadual específica durante uma audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPPADR), presidida pelo deputado Dermilson Chagas (PEN).

Na sessão plenária desta terça-feira (3), Chagas disse que irá encaminhar as sugestões para a formulação da lei e, em 15 dias, fará uma nova reunião com pesquisadores, técnicos e representantes da categoria. “Eles estão à margem da legislação e pediram para sair da informalidade, da clandestinidade. A categoria quer justamente ser inserida na lei para trabalhar de maneira mais tranquila. Essa atividade é de baixo impacto ambiental e muito importante para a nossa economia”, disse.

A Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 346/2004 define regras para a criação, utilização, comércio e implantação de meliponários de abelhas adultas e dispensa a obtenção de autorização para meliponários com menos de 50 colônias que se destinem à produção artesanal.

Por outro lado, a Lei 3.785/2012 que dispõe sobre o Licenciamento Ambiental no Estado do Amazonas não apresenta dispositivo que contemple a atividade de meliponicultura, criando empecilho no momento que o produtor rural busca licença pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) para expansão de meliponários e da produção no setor. Por ano, os criadores de abelha sem ferrão no Estado produzem em média 12 toneladas, mas a falta de lei específica causa prejuízos.

Segundo o representante da Cooperativa de Criadores de Abelha Indígena da Amazônia (Copmel), Jair Arruda, a produção de Boa Vista do Ramos está “encalhada”. “Em 2015 produzimos 1,5 tonelada. Por conta da ausência da legislação, há uma terceirização uma vez que o produtor entrega o mel para as pessoas que já tem pontos de vendas aqui em Manaus. Estamos à margem do mercado, já que sem legislação não há como se organizar e a venda é menor. Eu acredito que essa audiência pública vai dar esse passo inicial para a formação de uma lei específica”, disse.

O presidente da Associação dos Criadores de Abelhas do Estado do Amazonas (ACAAM), Sidney Dantas, afirmou que a falta de lei específica impede o acesso ao crédito. A ACAAM, segundo ele, quer uma câmara técnica para a elaboração da lei estadual. “O que há hoje é uma lei para apicultura (criação de abelhas com ferrão). O modo de criação é diferente, a coleta também e os instrumentos para a produção do mel são distintos. Sem lei específica os bancos não podem liberar os recursos”, destaca. “Nós estamos em busca da legalidade no sentido de ser inclusos na lei. A lei federal existente não se enquadra na realidade local”, disse. Licenciamento ambiental.

O representante do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Marcelo Garcia, fez ainda propostas para adequar a legislação: incluir a meliponicultura na Lei 3.785/2012; estipular novos valores de comercialização; quantificar a atividade pelo número de colônias e organizar os produtores para receber a doação de colmeias em “áreas de supressão”. Mas o licenciamento ambiental para os produtores é considerado alto para categoria.

Segundo o próprio Ipaam, o custo chega até R$1,3 mil para pequenos produtores e de R$1,9 mil para demais produtores. Valor considerado caro pela presidente do Sindicato dos Trabalhadoras e Trabalhadoras Rurais do Município de Iranduba (STTR- Iranduba), Irene Nazário. “Esse valor é alto para o pequeno produtor, vamos discutir para que isso seja menor. Precisamos viabilizar a meliponicultura”. Chagas também questionou o valor. “Para cada caixa de mel eles cobram esse valor. Ainda é caro. Vamos ouvir órgãos para propor mudanças e assim facilitar a vida dessas pessoas”.

Para o técnico de grupo de pesquisas em abelha do Instituo Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Hélio Vilas Boas, sem legislação não tem como ampliar os estudos na área. “Se você não tem uma legislação consolidando essa atividade, ficamos à margem da lei. O Amazonas é o berço da criação de abelhas, mas precisamos normalizar isso”, disse. De acordo com Vilas Boas, o Amazonas tem 68 das 100 espécies de abelhas sem ferrão existentes no Brasil, sendo que 15 espécies já são criadas, dentre elas a Jandaíra e a Jupará, as mais conhecidas.
Só há duas certificações de criação de abelha sem ferrão no Brasil. Um dos diferenciais da Coopmel é que não há a derrubada de árvores para a produção de mel. Foto: Arquivo Coopmel
Uma atividade que garante uma série de serviços ambientais e ainda gera renda às comunidades tradicionais do Amazonas está em plena ascensão no Estado. Trata-se da meliponicultura, criação de abelha sem ferrão. O município de Boa Vista do Ramos (a 271 quilômetro de Manaus) foi o primeiro a conquistar o selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) da região para a comercialização desse tipo de mel, e o segundo do Brasil.

Esse êxito foi conseguido pela Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (Coopmel). O técnico do Grupo de Pesquisas em abelhas (GPA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Hélio Vilas Boas, conta que em termos de abelha sem ferrão, o Brasil só tem duas certificações. Uma no Paraná, com as abelhas indígenas Jataí, e agora no Amazonas, com as abelhas Jandaíra.

Ele destaca que os produtores da Coopmel se preocupam com a natureza. Por isso, para a produção do mel, é terminantemente proibida a derrubada de árvores seja para retirada de enxames ou coleta de mel, ou para qualquer outro fim. Ao contrário, os cooperados ajudam as abelhas e a floresta, plantando árvores que fornecem alimento para as abelhas.

“Antigamente, a produção de mel era tirada por meio extrativista, a pessoa derrubava a árvore e tirava o mel, mas esse tipo de abelha, a maioria não migra de um canto para o outro, desta forma, elas acabavam morrendo e os insetos e animais consumiam tudo o que restava. Hoje, com a meliponicultura, o manejo tem toda uma prática de conscientização da abelha no meio ambiente e a preservação não só dela, mas da flora”, relata.

Outros benefícios 

Vilas Boas ressalta que uma das vantagens da meliponicultura para os produtores rurais da Amazônia é o fato de as abelhas sem ferrão auxiliarem também na produção de outras culturas, uma vez que, polinizam o terreno onde estão instaladas as colmeias. Ele também salientou que mais de 90% dos meliponicultores deixaram de aplicar defensivos agrícolas na sua lavoura, o que melhora ainda mais a qualidade do mel.

O presidente da Coopmel, Jair Rodrigues Arruda , revela que a organização conta com 72 cooperados.  Conforme ele, o selo de inspeção é uma conquista muito grande para os produtores, principalmente pelo fato de a certificação possibilitar que o produto seja comercializado nas prateleiras dos supermercados do Estado, o que antes não era possível. “Apesar do pouco tempo, nossas vendas aumentaram em 70%”, disse.
Mais mel nas lojas e mercados

O Serviço de Inspeção Estadual  (SIE) para comercialização de mel no Amazonas representa a alta qualidade do produto comercializado pela Coopmel. O selo atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a aquisição dele significa que  a cooperativa está produzindo um produto alimentar (o mel) para o consumo humano de acordo com as normas sanitárias exigidas.

Para o técnico do Grupo de Pesquisas em abelhas do Inpa, Hélio Vilas Boas, a certificação dá credibilidade não só para Boa Vista do Ramos, mas para todo o Brasil. “O selo vai colocar o Amazonas em evidência e assim, outros Estados vão buscar seu selo de qualidade, que é importantíssimo no País. Sem o selo não se pode de jeito nenhum comercializar o produto. E ele vale por um ano, desta forma, a preocupação de manter a excelência é constante”, enfatiza o técnico.

Os criadores receberam técnicas específicas sobre as boas práticas de produção, incluindo coleta e transporte, processamento, armazenamento e embalamento do produto para comercialização. Com a conquista do selo de inspeção, a comercialização do produto pela Coopmel garantirá renda extra para famílias de 23 comunidades rurais situadas em cinco regiões de Boa Vista do Ramos (Lago Preto, Rio Urubu, Ramos de Cima, Ramos de Baixo e Massauari).

A meta da Coopmel era produzir 2 toneladas e 600 quilos de mel este ano, mas por conta do forte verão, a expectativa é que a produção alcance apenas duas toneladas, de acordo com o presidente da organização, Jair Rodrigues Arruda. Porém, ele destacou que cooperativa tem parceria com o Inpa para desenvolver pesquisas que aumentem a produtividade dos meliponicultura de Boa Vista do Ramos.

Ampliação


O selo do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) atende aos padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, possibilitando a livre comercialização do mel da floresta produzido pela Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia (Coopmel) em lojas e supermercados de todo o Amazonas.

Reportagem vinculada no site do Jornal Acrítica em 16/11/2015

Abelhas nativas do Brasil desenvolveram uma forma rudimentar de agricultura, cultivando um fungo nos compartimentos da colmeia onde botam seus ovos.

Ao que tudo indica, a protolavoura está mais para uma horta de ervas medicinais do que para um campo de trigo, já que o fungo em questão parece ser capaz de gerar substâncias que protegeriam as larvas do ataque de micróbios.

Diversas formigas são famosas por se dedicar ao cultivo de fungos, mas as mandaguaris (Scaptotrigona depilis), nativas de áreas de vegetação aberta do Sudeste e do Sul do país, são as primeiras abelhas documentadas que apresentam um comportamento parecido, ainda que mais rudimentar.

"No começo, eu achei que o fungo causava uma doença nas abelhas", contou à Folha o pesquisador Cristiano Menezes, da Embrapa Amazônia Oriental.

É que, durante seu doutorado na USP de Ribeirão Preto, ele estava tentando produzir rainhas mandaguaris em laboratório. Em tese, o processo é simples: viram rainhas as larvas que recebem uma quantidade elevada de comida (seis vezes mais do que o oferecido às futuras operárias).

"Você coleta o alimento larval da própria colônia e o coloca dentro de casulos artificiais com a larvinha recém-nascida. O problema é que a câmara era muito úmida, o fungo crescia muito rápido e matava as rainhas", recorda Menezes.

Abelha agricultora

Bastou regular a umidade, no entanto, para que as futuras rainhas melhorassem sua expectativa de vida –e para que os pesquisadores notassem um fenômeno curioso: as larvas estavam comendo os filamentos esbranquiçados do fungo. O resto da história está em artigo na revista científica "Current Biology", assinado por Menezes e por colegas da USP e da Unicamp.

O consumo da quantidade correta de fungo não só é inofensivo para as larvas como, aliás, parece ser essencial: as futuras abelhas têm dificuldade de sobreviver na ausência do micro-organismo do gênero Monascus que, do ponto de vista humano, pode ser considerado um bolor.

Evidências desse fato vieram de um experimento no qual o principal item do cardápio das larvas de mandaguari –uma massa semilíquida regurgitada por operárias "babás"- foi extraída e esterelizada com luz ultravioleta.

Na natureza, a rainha põe seus ovos em cima da gororoba e o compartimento é selado. Quando o ovo eclode, as larvas vão lentamente devorando a pasta.

No experimento, 150 larvas receberam papinha esterilizada, enquanto a outras 150 foi servido alimento inoculado com o fungo. Esse segundo grupo teve uma taxa de sobrevivência de 76%, contra apenas 8% das larvas que comeram pasta esterilizada.

Outros experimentos mostraram que o fungo está presente no material usado pelas abelhas para construir as paredes dos "berçários". Isso significa que, quando os insetos formam um enxame para montar uma nova colmeia, as operárias da espécie carregam consigo o fungo junto com o material de construção, propagando assim sua "lavoura".

Segundo Menezes, o termo mais adequado para designar o comportamento seria "protoagricultura". "O que acontece é que aparentemente não há um cuidado direto com a espécie cultivada, apenas sua propagação, enquanto as formigas, por exemplo, cuidam dos fungos de forma mais ativa" –é por isso que as saúvas vivem cortando folhas, levando-as para seus fungos.

CONEXÃO ASIÁTICA

Pode até ser que os fungos contenham nutrientes sem os quais os insetos não conseguem se desenvolver, mas uma pista importante, que aponta para outra direção, vem de uma fonte insuspeita: a culinária asiática.

Em países como a China e a Coreia do Sul, fungos avermelhados do gênero Monascus, aparentados ao das mandaguaris, são utilizados como condimento e conservante de alimentos como o arroz e o peixe. Substâncias produzidas por esses fungos têm propriedades antibacterianas e podem fazer bem para o coração.

Coincidência ou não, em laboratório, a "papinha" das larvas sem o fungo começava a cheirar mal rapidamente, o que sugere que as abelhas usam o micro-organismo como arma contra micróbios causadores de doenças.

Para o pesquisador, o trabalho pode ter implicações importantes para a agricultura humana. As abelhas, afinal, têm sofrido declínios em sua população no mundo todo, com causas que ainda precisam ser mais estudadas, e, sem elas para fazer o trabalho duro da polinização da lavoura, as colheitas tendem a cair.

"Daí a necessidade de entender a importância dos fungos para a saúde das abelhas. Os fungicidas costumam ser aplicados na lavoura na época da floração [quando as abelhas estão visitando as flores]. Eles não afetam as abelhas adultas, mas elas podem muito bem estar levando os fungicidas para as colônias e eliminando fungos como esse", explica.


REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA





Em abril de 2001, foi iniciado o Programa de Meliponicultura, com os moradores que já criavam as abelhas nativas.  A primeira ação de campo foi à transferência das colônias de cortiços e caixas rústicas para colméias racionais, e capacitação específica dos moradores que teriam a missão de manejar os meliponários matrizes.

Em dezembro de 2002 houve uma produção piloto de mel de 185 quilos que foi pausterizado artesanalmente. A compra deste mel foi subsidiada para uma campanha e o restante comprada por parceiros para ajudar na divulgação regional.

Em junho de 2003, os criadores de abelhas indígenas sem ferrão do município de Boa Vista do Ramos realizaram uma reunião para discutir a atividade de Meliponicultura, dessa reunião saiu à decisão de criar uma organização que os representasse.

No dia 04 de julho de 2003 os meliponicultores, em Assembleia Geral, criaram a ACAIA’ Associação dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia em Boa Vista do Ramos e elegeram sua primeira diretoria. Neste período houve uma produção de 700 quilos de mel, vendidos para amigos e patrocinadores do projeto como: IMAFLORA, Iraquara, Amigos da Terra, AFLORAM, FDD/AVINA, Banco do Brasil, PMBVR e outros. Período este, foi proposto à construção do Entreposto de Beneficiamento de Mel em Boa Vista do Ramos.

Em 2005 houve uma produção de 2000 quilos de mel, beneficiados no entreposto da empresa Amazonervas, por meio de um contrato de terceirização. E a Associação completou 150 famílias associadas, em 23 comunidades rurais e na sede do município. Em julho de 2006 a Associação em parceria com IDAM montam um Meliponário Matriz na comunidade de Vila Manaus - Região do Ramos de Baixo, com o objetivo de expandir a Meliponicutura para outras Comunidades e Regiões do Município.

Ciente da necessidade de fortalecimento da atividade, a ACAIA buscou parceria com diversas instituições, tanto para a estruturação da associação quanto para capacitação de seus associados: Ainda em 2004 estabeleceu parceria com a FDD - Fundação Daniel Dascal, instituição que doou a associação uma voadeira para facilitar os deslocamentos para visitas aos meliponicultores.

Neste mesmo ano, estabeleceu parceria com o CDH – Conselho do Desenvolvimento Humano, instituição que apoiou a construção dos prédios do Entreposto de Beneficiamento e Mel. Em 2007, com apoio do SEBRAE/AM, foi iniciado um programa de capacitação individual dos meliponicultores associados à ACAIA, por meio do repasse de técnicas de manejo das abelhas indígenas sem ferrão.

Foi então que em 29 de julho de 2007, que os meliponicultores, com apoio do SEBRAE/AM, constituíram a Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia em Boa Vista do Ramos – COOPMEL, para viabilizar a produção e comercialização de seus produtos e atender uma exigência do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento – MAPA. A COOPMEL realizou sua inscrição junto aos órgãos responsáveis pelas atividades desenvolvidas pela cooperativa: Receita Federal sob o Nº. CNPJ 09.076.920/0004-68, a Secretaria de Fazendo do Estado sob o Nº. 04.222.116-1, o IBAMA sob o Nº. 02005.002792/08-81, JUCEA sob o Nº 13400003873 e IPAAM sob o N° 1004.2909. Ainda em 2007, firmamos uma parceria entre SUFRAMA, SDS e COOPMEL para construir o Entreposto de Beneficiamento de Mel, com recurso vindo através de Emenda Parlamentar dos Senadores João Pedro e Francisco Praciano (ambos do PT). Com inicio das obras em fevereiro de 2010. Mas, por conta da quebra de contrato por parte da Empresa que ganhou a licitação (GML Construções), fomos duramente prejudicados na construção de nosso entreposto, com isso, adquirir o registro junto ao Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento está em processo.

O SEBRAE/AM, Ministério da Agricultura e Reforma Agraria – MDA e ADS do Governo do Estado do Amazonas, também apoiaram na participação da cooperativa em feiras e exposições. Em 2008 a cooperativa buscou apoio do Banco do Brasil, por meio de financiamento a seus cooperados para a melhoria dos planteis e ampliação dos meliponários.

A demanda pela criação da cooperativa foi originada por um profissional do OCB/AM, pela necessidade de obtenção do registro no SIF – Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Registro este que dará aos meliponicultores a possibilidade de comercialização de suas produções para o mercado e nacional e internacional. A COOPMEL contou com 75 famílias associadas em 2008, manejando aproximadamente 3.500 colônias de abelhas indígenas sem ferrão. Produzindo neste ano cerca de 2.050 quilos de mel.

O quadro de cooperados da COOPMEL é composto, basicamente, por agricultores familiares (homens, mulheres e jovens) oriundos da zona rural da Amazônia brasileira. Pessoas, estas, que vivem em estreita harmonia com as condições ambientais de cheia e vazante do rio Amazonas e seus afluentes. Suas principais formas de organização são os grupos familiares que se organizam em torno de um aglomerado de casas denominado de comunidade.

Com o apoio do SEBRAE/AM, a maioria dos cooperados/as receberam capacitações para realizar o manejo de suas colônias, o transporte do mel até o entreposto de acordo com as normas estabelecidas pela cooperativa, planejamento administrativo e gestão da cooperativa. Para realizar a extração do mel a cooperativa dispõe de uma equipe de meliponicultores capacitados para realizarem a extração do mel. Essa equipe de meliponicultores, com equipamentos da COOPMEL vão à propriedade do meliponicultor e realizam a extração do mel. Já o beneficiamento, no entreposto de mel e cera de abelhas, é realizado por uma equipe de pessoas treinadas para operacionalizarem os equipamentos existentes no entreposto.

Os Meliponicultores associados à COOPMEL têm consciência da importância da atividade para a geração de renda e melhoria das condições ambientais. Esta consciência ficou mais consistente a partir da realização do projeto “Aprendendo com as Abelhas”. Projeto que tem como objetivo central capacitar os filhos de meliponicultores, apoiados pelo SEBRAE/AM, para realizarem o manejo de colônias de abelhas indígenas.

E como objetivos específicos: incentivar jovens rurais a reconhecer e avaliar as diferentes dimensões das relações sociedade-natureza, sob uma perspectiva crítica, ética, participativa e sustentável; contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos jovens rurais e de suas respectivas comunidades; propiciar o aperfeiçoamento da atividade de meliponicultura, contribuindo para a qualidade do processo de produção, a diversificação das atividades econômicas das unidades familiares visando criar alternativas de geração de renda; disseminar as experiências e o conhecimento adquirido ao longo do Projeto sobre o potencial econômico da meliponicultura junto à sociedade local; estimular jovens rurais, com seus núcleos familiares, a conhecer melhor os espaços rurais e suas relações com a natureza; estimular jovens rurais a produzir riquezas a partir dos recursos naturais de forma sustentável.

Em 2011 a COOPMEL, realizou uma venda de 100 (cem) colônias para o Município de Terra Santa/PA e cerca de 700 para as Comunidades da Reserva do Marau no Município de Maués/AM, com o objetivo de fortalecer a atividade no Território do Baixo Amazonas e criando perspectivas de geração de renda aos seus associados.

Atualmente, a COOPMEL conta exclusivamente com apoio de seus cooperados e da NORDESTA Reflorestamento e Educação, tem apoiado na ampliando os seus Meliponários, aumentando a produção de Mel e construção/adequação do entreposto de Beneficiamento de Mel em Boa Vista do Ramos e no Baixo Amazonas.


Jair Rodrigues Arruda - Presidente da COOPMEL

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